MACEIÓ: POTENCIAL TURÍSTICO COM BASE NA TECNOLOGIA DE SISTEMA GEOGRÁFICO DE INFORMAÇÃO

 

LÚCIA MARIA CUNHA ALVES LIMA1

JORGE XAVIER DA SILVA2

MARIA HILDE BARROS GOES3

SILVANA QUINTELLA CALHEIROS4

JOVESI DE ALMEIDA COSTA¹

VANDA ÁVILA RAMOS¹

JOSÉ PINTO GÓES FILHO5

AMARO LUIZ FERREIRA6

ROMULO BERGAMO6

SINVAL AUTRAN GUIMARÃES JÚNIOR7

LEDA REGINA DOS SANTOS7

JORIMA VALOZ DOS SANTOS7

VICENTE PAULA DE LIMA8

 

1Profs. Adjunto - UFAL;

2Professor Titular - UFRJ;

3Prof. Adjunto - UFRRJ;

4Doutoranda UFRJ;

5Professor Auxiliar UFAL;

6Mestrandos UFRJ - UFF

7Bolsistas UFAL - CNPq;

8Técnico CDG - UFAL

 

UFAL - Depto. Geografia Cid. Universitária 57072-970 Maceió-AL

UFRJ - CCMN: Inst. Geociências. Cid. Univ. 21941-590 Rio de Janeiro-RJ

UFRRJ - Antiga Estrada Rio-São Paulo, Km 47. CEP 23850-230 Seropedica-RJ

 

Resumo. Este trabalho constitui parte de um projeto de pesquisa Análise Ambiental de Municípios por Geoprocessamento. Trata da avaliação do potencial Turístico para o Município de Maceió-AL-Brasil, com base na tecnologia de Sistema Geográfico de Informação.

 

Abstract. This paper is part of a research project centered on municipal enviromental analysis based on geoprocessing techniques. Evaluation of the touristic potential of Maceió county (AL-Brazil) was performed, using the GIS named SAGA/UFRJ.

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

Muito da complexidade inerente aos problemas ambientais é oriunda de um sistema econômico, social e tecnológico que vem acarretando sérias consequências na manutenção do equilíbrio ambiental. Estes tem se agravado atingindo extensas áreas e exigindo coleta e registros de grande número de informações o que dificulta o seu tratamento, principalmente quando o problema requer imediata ação mitigadora.

Recentemente a informática vem facilitando o armazenamento, tratamento e atualização dos dados ambientais pela utilização de técnicas de geoprocessamento e Sistema Geográfico de Informação. Xavier da Silva(1992) define formalmente geoprocessamento como sendo um ramo do processamento de dados que opera transformações nos dados contidos em uma base de dados referenciada territorialmente (geocodificada), usando recursos analíticos (gráficos e lógicos), para obtenção e apresentação das transformações desejadas. Entre as tecnologias que fazem uso de geoprocessamento estão os Sistemas Geográficos de Informação, que segundo Xavier da Silva(1989) são "estruturas de armazenamento, recuperação e transformação de dados contidos numa base de dados geográficos computadorizada".

A evolução rápida da tecnologia computacional, associada ao sensoriamento remoto e ao processamento gráfico levaram a utilização de tecnologias que vem propiciando análise integrada e georeferenciada dos problemas ambientais.

A utilização de técnicas de geoprocessamento permite criar condições específicas para investigar situações ambientais como também apresentar diferentes alternativas de manejo para proteção ambiental, em determinada área ou território servindo de base à tomada de decisão político-administrativa.

Visando atender órgãos do governo estadual e prefeituras voltadas para o planejamento territorial e as comunidades técnico-científicas e acadêmicas da Universidade Federal de Alagoas, o projeto de pesquisa Análise Ambiental de Municípios por Geoprocessamento passou a existir, tendo como objetivos: implantar um Sistema Geográfico de Informação que permita elaborar diagnósticos e prognósticos ambientais; criar o Laboratório de Geoprocessamento da UFAL no Departamento de Geografia e Meio Ambiente, que tanto levará o desenvolvimento da pesquisa geográfica e ambiental como também incorporar aos currículos de graduação e pós-graduação o ensino das novas tecnologias.

Este trabalho constitue parte desse esforço, que tem se dado juntamente com o Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e com o Departamento de Geociências do Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

 

2. A ÁREA DE ESTUDO

 

O município de Maceió, área do presente trabalho, é rico em paisagens naturais e vem sendo alvo, nos últimos 10 anos, de um surto desenvolvimentista que tem agredido violentamente seu patrimônio natural e de forma grave sua população. O sítio urbano localiza-se geomoforlogicamente em três planos, às margens da Lagoa Mundaú e do Oceano Atlântico, apresentando, portanto, uma área previlegiada com dois ecossistemas diferenciados de suma importância tanto natural como sócio-econômica. As agressões ao meio ambiente em Maceió tornam-se graves, necessitando de uma análise da situação atual das condições ambientais, para que possam ser tomadas decisões mais conscientes por parte das autoridades responsáveis tendo por base documentos que retratem a realidade. A rapidez com que a atividade do turismo se instala na área tem provocado uma reorganização espacial com perspectiva de agravamento das agressões ao meio ambiente. O Programa de Desenvolvimento do Turismo - PRODETUR, que vem sendo implantado no litoral do Nordeste tem seu desdobramento no litoral norte alagoano com o chamado Projeto Costa Dourada e, ao sul, com o projeto Paraíso das Águas, visando o desenvolvimento de infraestrutura básica à atividade do turismo. Tal fato terá reflexos no espaço de Maceió e tende a ocorrer sem um conhecimento sistemático da realidade ambiental.

 

3. QUADRO TEÓRICO E METODOLÓGICO

 

A avaliação ambiental do Potencial Turístico teve por base o uso de técnicas de geoprocessamento utilizando-se do SAGA-Sistema de Análise Geoambiental desenvolvido por Xavier da Silva(1993) na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Na metodologia adotada as avaliações ambientais resultam da combinação de dados previamente inventariados, gerando dois tipos de resultados: risco ambiental e potencial ambiental. Para atender aos objetivos deste trabalho foi desenvolvido o segundo processo de avaliação. Portanto, entende-se por potencial ambiental, o levantamento das condições ambientais existentes na área de modo latente, no qual são identificadas a extensão e possível expansão territorial de um processo ambiental, que no caso específico é o turismo.

 

3.1. INVENTÁRIO AMBIENTAL

 

Para realizar as combinações de dados, utilizou-se a base de dados geográficos(Lima et alli 1994) contendo os seguintes parâmetros: Unidades Geomorfológicas, Unidades Litológicas, Altitude, Solos, Uso da Terra/Vegetação e Proximidade.

Este inventário ambiental da área geográfica teve como base cartográfica as folhas Maceió e Pilar(IBGE, 1985) escala 1:50.000. Os parâmetros foram mapeados utilizando-se de técnicas convencionais de fotointerpretação, documentos cartográficos e trabalho de campo, resultando em cartas temáticas que foram escandidas e geoprocessadas criando um modelo digital do ambiente, no caso o município de Maceió.

 

3.2. SELEÇÃO DE PARÂMETROS

 

Realizado o inventário ambiental, foram selecionados pelos pesquisadores, entre os parâmetros que compõem a base de dados, aqueles mais influenciadores para análise da situação ambiental previamente investigada e definida: - o turismo.

Foram escolhidos 5(cinco) parâmetros com diferentes graus de importância sobre o evento e categorizados em: - do meio natural: Unidades Geomorfológicas, Altitude e Unidades Litológicas - e do meio antrópico: - Uso da Terra/Vegetação e Proximidade.

 

3.3. PROCEDIMENTOS DA AVALIAÇÃO AMBIENTAL DO POTENCIAL TURÍSTICO

 

Esta etapa foi realizada á partir da atribuição de pesos percentuais(0 a 100%) para cada parâmetro selecionado, seguido de notas(0 a 10) aferidas as categorias de cada parâmetro. Os pesos atribuídos a cada parâmetro segundo o grau de importância para o evento estudado foram: Unidades Geomorfolígicas 30%, Proximidade 30%, Altitude 20%, Uso da Terra e Vegetação 15% e Unidades Litológicas 5%.

Unidade Geomorfológica: o parâmetro tem significado para o fato analisado uma vez que fornece informações sobre áreas favoráveis ao lazer e vistas cênicas, bem como indica áreas que pela sua vunerabilidade não permitem um uso intenso. Proximidade: corresponde à informações da infraestrutura viária favorecendo a acessibilidade ao evento, indicando ainda o valor da proximidade dos fluxos demográficos. Altitude: apresenta as variações topográficas encontradas na área, que favorecem ou não a ocupação do espaço. Uso da Terra e Vegetação: mostra a distribuição da ocupação humana sobre o território e a distribuição da vegetação natural, permitindo indicações sobre as possibilidades atuais de uso e proteção ambiental. Unidades Litológicas: face a simplicidade litológica da área, que apresenta apenas duas unidades bem definidas, foi-lhe atribuída o menor significado.

As notas atribuídas para as categorias de cada parâmetros foram:

 

Unidades Geomorfológicas(30%)

Notas

Cordões Arenosos

9

Restingas

9

Planície Flúvio-Marinha

8

Várzea Fluvial

7

Terraços Fluviais

8

Várzea/Terraços Fluviais

6

Várzea Flúvio-Lagunar

8

Terraços Flúvio-Lagunar

10

Terraços Marinhos

8

Terraços Colúvio Aluvionar

5

Rampa de Colúvio

4

Falésias Fósseis

9

Encosta de Vale Fluvial

4

Encosta de Estuário Estrutural

8

Interflúvios Tabuliformes Dissecados

3

Colinas Tabuliformes Estruturais

7

Ilhas

9

 

Proximidade (30%)

Notas

Áreas Indefinidas

0

Prox. Estr. Pav.

9

Prox. Estr. N/Pav.

5

Prox. p/ Estr. Pav. e N/ Pav.

7

Prox. p/ Via Férrea

8

Prox. Estr. Pav. e Via Férrea

9

Prox. Estr. N/ Pav. e Via Férrea

7

Prox. Estr. Pav./ N. Pav. e Via Férrea

8

Prox. p/ Sítio Industrial

0

Prox. Estr. Pav.e Sítio Industrial

4

Prox. Estr. N/ Pav. e Sítio Industrial

2

Prox. Estr. Pav./ N. Pav. e Sít. Industr.

6

Prox. Sítio Urbano

9

Prox. Estr. Pav. e Sítio Urbano

9

Prox. Estr. N. Pav. e Sítio Urbano

6

Prox. Estr. Pav./ N. Pav. e Sítio Urbano

7

Prox. Via Férrea e Sítio Urbano

9

Prox. Estr. Pav./ Via Férrea e Sít. Urb.

10

Prox. Est. N Pav./ Via Férrea e Sít.Urb.

8

Prox. Pav./ N. Pav./ Via Férrea e S.Urb.

9

Prox. Sít. Indus. e Sít. Urb.

5

Prox. Estr. Pav./ Sít. Indus. e Sít. Urb.

6

Prox. Estr. N Pav./ Sít. Indus. e Sít. Urb

6

Prox. Pav./N. Pav./Sít.Indus. e Sít.Urb.

3

 

Altitude(20%)

Notas

0 a 20m

9

20 a 40m

8

40 a 60m

6

60 a 80m

7

80 a 100m

7

100 a 120m

5

120 a 140m

4

140 a 160m

3

160 a 180m

2

 

Uso e Cobertura Vegetal(15%)

Notas

Cana-de-Açucar

2

Policultura

3

Mata Atlântica

7

Macega

4

Mangue

9

Uso Urbano

9

Uso Industrial

2

Solo Exposto

0

Solo Desnudo

0

Vegetação de Restinga

7

Várzea

7

Campo

5

Pastagem

2

Coqueiro

9

Associação Coqueiro + Fruticultura

8

Cinturão verde

1

Lago artificial

4

 

Unidades Litológicas(5%)

Notas

Sedimentos Quaternários

10

Terciário Barreiras

7

CI fm Muribeca mb Carmopolis

2

CI fm Muribeca Indiviso

1

CI fm Ponta Verde

1

CI fm Coqueiro Seco

2

CI fm Penedo

1

PCS Intrusivas Ácidas do Batolito Pe-Al

1

 

3.4. MAPEAMENTO DO POTENCIAL TURÍSTICO

 

Após a atribuição dos pesos e notas estes foram digitalizados e geoprocessados a partir da conjugação desses planos de informação ou cartogramas digitais, utilizando-se a Técnica de Apoio à Decisão do SAGA/UFRJ, resultando no Cartograma Classificatório do Potencial Turístico de Maceió.(Figura 1)

 

4. AVALIAÇÃO AMBIENTAL DO POTENCIAL TURÍSTICO

 

O potencial turístico de Maceió diante da avaliação realizada, foi classificado em seis níveis: Altíssimo Potencial, Alto Potencial, Medio Potencial, Médio Baixo Potencial e Baixo Potencial, representados no cartograma digital classificatório, com diferentes extensões em áreas bem distribuídas espacialmente.

O Altíssimo Potencial encontra-se em áreas ao longo da orla marítima, onde ocorre a combinação simultânea de equipamentos urbanos novos, com tecnologias avançadas de apoio turístico, belezas cênicas e acessibilidade. O Alto potencial extende-se em faixa ao longo da orla marítima e lagunar com toda uma infra-estrutura de lazer identificada com a realidade local. Convém salientar que na parte sul da mancha urbana de Maceió os equipamentos(hotéis, bares e restaurantes) estão sendo substituídos por instituições governamentais e equipamentos de saúde. Esta área, face a implantação da indústria química SALGEMA e seu respectivo caís de exportação, entrou em processo de degradação por ter se tomado interportuária, acrescida da presença de emissário de efluentes poluidores e da presença do Riacho Salgadinho, esgoto a céu aberto.

O Médio-alto Potencial ocorre em manchas ao longo da orla marítima e corresponde aos aglomerados urbanos sem que se considere os diferentes usos do solo intra-urbano. Para o interior extende-se ao longo de alguns vales e ás margens das lagoas. O Médio Potencial apresenta-se em áreas sem estrutura de apoio ao turismo, sendo estas eminentemente residenciais e comerciais, servindo apenas como corredores do fluxo turistico às áreas de Altíssimo e Alto Potencial.

O Médio Baixo e o Baixo potencial correspondm a franja rural-urbana. Em função da política habitacional para população de baixa renda, houve uma expansão exponencial da área geográfica da cidade uma vez que os conjuntos habitacionais localizam-se distante da malha urbana principal, explicados pelo baixo custo da terra, resultando na produção de moradias com precárias condições de infra-estrutura física e social. Destaca-se também a presença da monocultura da cana-de-açúcar e agricultura de subsistência em área potenciais para expansão urbana. Importante salientar que em torno do Pólo Industrial Cloro Alcoolquímico, localizado no interflúvio - Rio dos Remédios e Lagoa Manguaba, verifica-se Baixo Potencial Turístico, demonstrando que mesmo sendo área com uso incompatível para desenvolvimento do turismo, esta não perdeu totalmente sua potencialidade, indicando ao mesmo tempo a desvalorização da área para a situação analisada e a necessidade de um planejamento ambiental compatível com atividade hora desenvolvida.

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O trabalho apresenta uma aplicação de tecnologia avançada na análise ambiental, exigindo uma constante atualização dos dados que constituem a verdade de campo. Todavia, se verifica que a tecnologia só terá valor quando acompanhada de uma análise qualitativa acurada com o conhecimento da realidade territorial.

Quanto a eficiência da metodologia, foi demonstrada sua validade uma vez que atendeu aos objetivos propostos, permitindo um trabalho integrado quanti-qualitativo.

Face aos resultados obtidos neste trabalho destaca-se que o processo ambiental urbano terá que ser contemplado na análise do município mediante o monitoramento nas áreas de expansão urbana, em virtude de percepção de conflitos no uso do solo.

 

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