MAPEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO COM USO DE GEOPROCESSAMENTO - ESTUDO DE CASO - PARQUE FLUMINENSE, DUQUE DE CAXIAS - RIO DE JANEIRO
JORGE XAVIER DA SILVA1
ROBERTO A MEDRONHO2
CARLOS H. SAITO3
OSWALDO E. ABDO4
CLÁUDIA ANDREA L. PINTO5
RUTH JURBERG5
1-Professor Titular da UFRJ, 2-Professor Assistente da Faculdade de Medicina-UFRJ, 3-Professor Assistente da UNB, 4-Geógrafo da UFRJ,
5-Bolsistas de Aperfeiçoamento da UFRJ/NESC
LAGEOP - Laboratório de Geoprocessamento
Departamento de Geografia -Instituto de Geociências -CCMN-UFRJ
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RESUMO: O presente trabalho pretende elaborar um perfil sócio-econômico do loteamento do Parque Fluminense, Município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, a partir de dados cartografados pelo SGI denominado pelo SAGA/UFRJ relativos aos setores censitários do Censo Demográfico do IBGE de 1991.
Foram gerados mapas temáticos usando variáveis de Renda, Infra-estrutura e Educação, posteriormente combinados para a consecução de uma classificação sócio-econômico da área estudada.
ABSTRACT: In this paper is created a socio-economic classification of the Parque Fluminense urbanized area, in Duque de Caxias - Rio de Janeiro State. The data was extrated from National Demographic Census of IBGE, 1991, and using the GIS called SAGA/UFRJ.
Were elaborated thematic maps used as bases for the classification referred to Income, Infra-Structure and Education charaterists of the Censius data.
1. INTRODUÇÃO:
Um Sistema Geográfico de Informação constitui um potente instrumento de investigação das situações relevantes existentes no meio ambiente. Utilizou-se esta metodologia para elaboração de classificação sócio-econômica de uma área considerada economicamente carente no Município de Duque de Caxias.
A escolha desta área se baseou principalmente na possibilidade de análise dos impactos que a mesma sofrerá após as intervenções que serão realizadas dentro do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDGB). A avaliação dos impactos do PDBG sobre a saúde desta população será feita pelo PAISQUA - Programa de Avaliação dos Impactos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara sobre as Condições de Saúde e Qualidade de Vida.
Um dos objetivos do PAISQUA é proceder a análise espacial das relações entre determinados indicadores de saúde com parâmetros ambientais, físicos, sócio-econômicos e de infra-estrutura urbana, visando identificar parâmetros críticos para a ocorrência dos referidos indicadores bem como as áreas de maior risco de doenças (ALMEIDA, 1996).
No caso específico da utilização do Geoprocessamento, dentro do PAISQUA, pode-se considerar que esta metodologia será uma base de aglutinação e referência do projeto, uma vez que poderá expressar através de mapas digitais, informações sobre a extensão territorial de entidades e ocorrências de interesse, verificadas ou simuladas.
2. METODOLOGIA:
Para elaboração deste trabalho foi utilizado o SAGA - Sistema de Análise Geo-Ambiental, (BASTOS, 1995). Trata-se de um Sistema Geográfico de Informação que armazena os dados em formato raster, criado e desenvolvido pela equipe do LAGEOP - Laboratório de Geoprocessamento do Departamento de Geografia do IGEO - UFRJ, com o objetivo de desenvolver e difundir as técnicas de Geoprocessamento aplicadas à pesquisa ambiental.
Na entrada de dados criou-se um modelo digital da área, a partir de dados na escala de 1:10.000. A resolução adotada é de 5m. Foi usado scanner de mesa para captura do mapa da área dividida por setores censitários, para isto usando-se o módulo Montagen do SAGA.
A identificação das características geométricas digitalizadas por "scanner" é feita usando-se o módulo TRAÇAVET do SAGA. Foram criados arquivos de vetores que identificaram as categorias dos mapas. Em seguida, os vetores foram transferidas para um mapa no formato raster, que é o resultado final de entrada de dados. As características editadas foram: os limites dos setores censitários, as principais vias, os rios e as curvas de nível relevantes.
O módulo de Análise Ambiental é capaz de realizar Assinaturas Ambientais, Avaliações e Monitorias Ambientais (OLIVEIRA, 1995).
As Assinaturas definem as características ambientais encontradas em qualquer posição geográfica nos diversos planos de informações.
A Monitoria Ambiental é definida como o acompanhamento da evolução das características ambientais e a Avaliação Ambiental executa estimativas de riscos, potenciais, impactos e cenários ambientais que podem ser feitas pela superposição de até 12 mapas.
O SAGA/UFRJ também faz associação entre seu banco de dados geográfico (mapas básicos) e um banco de dados convencional. Isto foi executado para a elaboração de mapas temáticos referentes as características demográfico-ambientais contidas no Censo do IBGE.
Entende-se por Banco de Dados uma estrutura de armazenamento de dados compatível com os objetivos de recuperação e produção de informação pelo usuário. Todo banco de dados deve passar por uma sequência de etapas de desenvolvimento que expressam a passagem do mundo real para um modelo abstrato que é tornado operacional. Tais etapas são definidas como modelagem conceitual, projeto lógico, projeto físico e implementação. Uma vez que a criação de uma estrutura adequada de armazenamento é que permite flexibilidade nas operações sobre dados, é a modelagem conceitual e o projeto lógico que requerem maior atenção do analista de sistemas que projetará o banco de dados. Em outras palavras, se quer alertar para o fato de que o processo de definição da estrutura de armazenamento dos dados (que em muitos casos ocorre anteriormente à coleta de dados, como parte da definição dos objetivos e metodologias do trabalho de investigação) é o ponto crucial da pesquisa científica, pois a forma como é definido o dado a ser utilizado orienta as possibilidades de recuperação e tratamento, enfim, os procedimentos de análise futuras.
"A finalidade, o conteúdo social, já se encontra presente desde a busca do dado e seu reconhecimento, e não apenas na fase de interpretação e utilização dos dados. Determinados dados são buscados porque se quer investigar algo, e é em vista dos objetivos de conhecimento que se atua sobre a realidade. Mesmo quando se organiza um Banco de Dados e se armazenam nele dados para análises posteriores, a seleção dos dados a serem armazenados e a sua estruturação (forma de representação, independência, etc) é previamente definida, ou seja, é guiada pelos objetivos sociais" (SAITO, 1996: 40).
Esta reflexão sobre a importância dos dados e de sua estruturação em Banco de Dados é de grande valor para os Sistemas Geográficos de Informação, nos quais é possível a integração de dois tipos de dados, armazenados em Banco de Dados Geográfico e Alfanumérico, correspondendo às possibilidades de georreferenciamento dos dados ambientais, de forma direta e indireta.
Neste trabalho, no aspecto da associação de dados alfanuméricos, armazenados em bancos de dados convencionais, com estruturas georeferenciadas, se produz um mapeamento sócio-econômico da área denominada Parque Fluminense no município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Neste mapeamento foram considerados tres parâmetros básicos: Renda, Educação e Infra-Estrutura, fornecidos pelo censo demográfico do IBGE de 1991, por setores censitários.
3. ELABORAÇÃO DOS MAPAS TEMÁTICOS:
Dentro das inúmeras variáveis sobre Educação, Renda e Infra-estrutura fornecidos pelo Censo Demográfico do IBGE de 1991, por setores censitários, foram selecionadas as variáveis mais significativas para retratar o perfil sócio-econômico da região.
Para apresentar um perfil com as condições básicas de saneamento foram elaborados três mapas temáticos, que são: proporção de domicílios com coleta de lixo direta; proporção de domicílios com abastecimento de água ligado à rede geral e proporção de domicílios com instalação sanitária precária. Estas variáveis foram agrupadas em intervalos de classe para identificar diferentes níveis de condição de vida.
Na elaboração do mapa temático de proporção de domicílios com abastecimento da água ligado à rede geral foram somados os domicílios com canalização interna e sem canalização interna ; tal procedimento foi feito com os dados referentes ao abastecimento de água, por interessarem mais a sua origem (que informa a existência ou não de fornecimento de água canalizada e tratada) que a existência ou não de canalização interna no domicílio.
Como na região estudada não existe domicílio com esgoto ligado a rede, optou-se por considerar os domicílios com instalação precária, isto é, valas, fossa rudimentar, sem instalação e outros. Da mesma forma, interessou a este trabalho identificar o estado de precariedade do destino de esgotos, muito mais que caracterizar as diferentes formas pelas quais esta precariedade se manifesta.
Na escolha da variável renda foi selecionada a de chefes com renda menor ou igual a 2 salários mínimos. Esta variável tem com objetivo mostrar o perfil de baixa renda da região.
Na variável educação foi escolhida a variável "indivíduos alfabetizados, com idade igual ou superior a 5 anos". Desta forma ter-se-á um mapa temático indicando o nível de alfabetização da população.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Esse trabalho pretende mostrar a importância da utilização do Sistema Geográfico de Informação para a elaboração de um perfil sócio-econômico realizado através da análise de mapas temáticos. Como também, a fundamental importância da associação do Banco de Dados Convencional a uma base georeferenciada para a produção de mapas temáticos. Esta associação traz agilidade e facilidade em manusear uma grande quantidade de dados e expressa a territorialidade dos dados censitários.
O mapa final caracterizando o perfil sócio-econômico do Parque Fluminense será apresentado durante a exposição do presente trabalho, assim como a discussão referente a avaliação realizada para a produção deste mapa.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALMEIDA, L.M. et alli. Projeto de Avaliação dos Impactos do PDBG sobre as condições de saúde e a qualidade de vida - PAISQUA. Seminário Interno do PAISQUA, Hotel Novo Mundo, Rio de Janeiro, 1996.
BASTOS, A M. et alli. Sistemas Geográficos de Informação: um tutorial para o SAGA/UFRJ. IV Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente, Clube de Engenharia, Rio de Janeiro, ps. 383-390, 1995.
OLIVEIRA, O M. et alli. Conversão de formatos de representação de mapas para SGI's: o exemplo do SAGA. IV Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente, Clube de Engenharia, Rio de Janeiro, ps. 391-398, 1995.
SAITO,C.H. "Contribuição Metodológica para Planejamento Urbano de Municípios de Pequeno e Médio Porte através de SGI e Banco de Dados Relacional". Tese de Doutorado, Depto. de Geografia/UFRJ-1996.
XAVIER DA SILVA, J. et alli. O Potencial da Expansão Urbana no Município de Itaguaí com Base na Tecnologia do Sistema Geográfico de Informação. IV Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente, Clube de Engenharia, Rio de Janeiro, ps. 372-381, 1995.




